Capítulo 3

 

FORMAÇÃO DE MEMBROS DE COMUNIDADES

 

 

3.1. INTRODUÇÃO

 

3.1.1. Meta

 

Proporcionar a formação dos membros de Comunidades CVX, de forma a buscar sempre maior fidelidade ao nosso estilo de vida e carisma, objetivando, ao fim, o Compromisso Permanente com a CVX.

 

3.1.2. A quem se destina

 

Tal plano visa à formação dos membros das Comunidades CVX, aqui entendidas, dada a realidade de nossas comunidades, como aquelas formalmente filiadas à ACVCB (Associação de Comunidades de Vida Cristã do Brasil).

 

3.1.3. Quais as dimensões envolvidas na formação ?  

 

Uma vez que se objetiva maior fidelidade ao nosso carisma e estilo de vida, a formação de um membro CVX deve proporcionar seu crescimento/amadurecimento nos aspectos espiritual, comunitário, humano-intelectual e apostólico.

Obs: com fins estritamente didáticos, procuraremos discriminar os elementos de cada um desses aspectos, sabendo, entretanto, que não se trata de dimensões estanques.

 

 

3.2. A DIMENSÃO ESPIRITUAL

 

“Jesus convida a todos nós a dar-nos continuamente a Deus ...” (PPGG 1)

 

A dimensão espiritual se refere à nossa união com Deus, colocando-nos em suas mãos como instrumentos cada dia mais dóceis e aptos. Sendo os Exercícios Espirituais de Santo Inácio (EEEE.) a fonte de nossa espiritualidade (PPGG. 5), o membro CVX deve ter presente sua vocação a essa espiritualidade.

 

3.2.1. Objetivos      

 

Buscar maior crescimento espiritual, o qual consiste em maior relação com Deus e maior conhecimento interno de Jesus, de forma que toda a vida seja vivida no espírito de Jesus.

 

3.2.2. Meios

 

·      prática dos EEEE nas suas diversas modalidades;

·      prática do discernimento espiritual;

·      prática da revisão de vida/exame de consciência;

·      direção/acompanhamento espiritual;

·      “intensa vida sacramental”(PPGG. 12);

·      familiarização com a Bíblia;

·      “Sentir com a Igreja”: participação na paróquia, na diocese, no Conselho Regional e Nacional de Leigos da CNBB.

 

 

3.3. A DIMENSÃO COMUNITÁRIA

 

“O dom de nós mesmos encontra sua expressão em um compromisso pessoal com a Comunidade Mundial, através de uma Comunidade local livremente escolhida” (PPGG. 7).

 

A Comunidade é a célula básica da vida da CVX: ela é o espaço de expressão, de escuta, enfim, de partilha daquilo que cada um tem sentido na sua relação com Deus. Unida pelo mesmo ideal e pela vivência da espiritualidade, a Comunidade passa a ser um grupo de “amigos no Senhor”.

A responsabilidade dos membros ultrapassa também os limites da sua Comunidade de pertença local, passando a abranger nossas associações regionais, nacionais e mundial, que materializam o grande corpo que é a CVX.

 

3.3.1. Objetivos

 

a ) Comunidade local:

·      reforçar a coesão, confiança e afeto entre os membros;

·      fazer da Comunidade o espaço privilegiado para juntar fé e vida, animando-se para o apostolado pessoal e partilhando os frutos e/ou dificuldades desse apostolado.

 

b ) Comunidade Regional, Nacional e Mundial:

·      perceber que a CVX transcende a Comunidade de pertença, animando-se com tantos outros que seguem o mesmo caminho em outras partes do mundo.                     

 

3.3.2. Meios

 

a ) Comunidade de pertença:

·      oração comunitária;

·      liturgia;

·      retiros conjuntos;

·      partilha de experiências;

·      revisão de vida;

·      discernimento comunitário;

·      atividades apostólicas conjuntas.

 

b ) Comunidade Regional, Nacional e Mundial:

·      encontros e assembléias regionais;

·      encontros e assembléias nacionais;

·      Assembléia Mundial;

·      encontros internacionais;

·      celebração do Dia Mundial da CVX (25 de março);

·      atividades intercomunitárias;

·      participação nos órgãos de governo (CRS, CPS, CES, ExCo, etc.);

·      assinatura de publicações CVX (Boletim Informativo, Progressio, Proyectos, etc.).

 

 

3.4. A DIMENSÃO HUMANO-INTELECTUAL

 

“Desafia-nos a tomar consciência de nossas graves responsabilidades, a buscar constantemente respostas às necessidades de nossos tempos

(PPGG 2)" .

 

A dimensão intelectual tem como objetivo capacitar-nos, à luz da ciência e da fé, para dar interpretações mais profundas a nossas experiências pessoais, eclesiais e sociais. A dimensão intelectual de nossa formação CVX deve estar, para tanto, enraizada em nossas experiências e orientada a oferecer interpretações que nos liberam e potencializam como pessoas e como crentes.

Esse aspecto da formação é que permitirá também que contribuamos mais eficazmente para a “evangelização das culturas”, habilitando-nos a dar testemunhos e argumentos em um mundo cada vez mais dominado pelo saber e pela técnica.

 

3.4.1. Meios

 

a) Reflexão da experiência cristã:

·      Bíblia;

·      Teologia;

·      Ética;

·      História da Igreja;

·      Espiritualidade;

·      Moral.

 

b )  Reflexão da experiência inaciana:

·      Autobiografia de Santo Inácio;

·      Exercícios Espirituais;

·      Etapas e dinâmicas da vida espiritual;

·      Princípios Gerais e Normas Gerais da CVX.

 

c) Reflexão sobre a realidade do mundo:

·      aspectos psicológicos, antropológicos e filosóficos;

·      formação na realidade social, política e econômica.

 

 

3.5. A DIMENSÃO APOSTÓLICA

 

“Como membros do Povo de Deus a caminho, recebemos de Cristo a missão de sermos suas testemunhas perante todas as pessoas, através de nossas atitudes, palavras e ações, identificando-nos com a missão de anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, libertar os oprimidos e proclamar o ano de graça do Senhor (PPGG 8)”.

 

O que determina uma Comunidade é que seus dons não sejam puramente verbais, mas que se traduzam em fatos, em doação de si aos outros. Doar-se implica comprometer-se a trabalhar pela reforma das estruturas injustas, pela libertação dos marginalizados e discriminados e pela supressão das diferenças entre ricos e pobres. O conjunto da comunidade impulsiona cada um de seus membros, ajudando a discernir aquilo que é mais urgente e universal e a dar sentido apostólico às coisas mais humildes da vida cotidiana.

 

3.5.1. Meios

 

·      experiências entre os mais pobres e em situações limite que ajudam a descobrir em si mesmos as atitudes do serviço apostólico inaciano: a humildade, a gratuidade, a união com Deus, etc.;

·      formação para o acompanhamento espiritual em grupo e individual;

·      discernimento do próprio campo de serviço apostólico e preparação para tanto;

·    participação em grupos de reflexão de profissionais de uma mesma área (saúde, educação, comunicação) não necessariamente pertencentes a uma mesma comunidade.

 

 

 

3.6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Princípios Gerais e Normas Gerais das Comunidades de Vida Cristã (CVX); Coleção Ignatiana, nº 37.  Edições Loyola.  São Paulo, 1991.

Comunidades de vida cristã - Espiritualidade inaciana para leigos; Garcia, Ceferino.  Edições Loyola.  São Paulo, 1986.

Comunidades de vida cristã - Subsídios para iniciação; Garcia, Ceferino.  Edições Loyola.  São Paulo, 1987.

Comunidades de vida cristã; Arrupe, Pedro, Paulussem, Louis e outros Coleção Ignatiana nº 12.  Edições Loyola.  São Paulo, 1980.

Para chegar à CVX - Princípios e crescimento; Leturia, Juan Miguel.  Coleção Ignatiana, nº13.  Edições Loyola.  São Paulo, 1980.

Leigos vivendo o carisma inaciano; Bingemer, Maria Clara L. - org.   Edições Loyola.  São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANEXO

 

SUBSÍDIOS

 

A lista das propostas a seguir não pretende esgotar todos os subsídios possíveis para o Assessor CVX, mas apenas evidenciar aquelas que nos parecem mais universais.

Chamamos assim as comunidades que já requisitaram sua filiação à Comunidade Nacional e Mundial. Não por este fato, porém, seu processo de formação se encontra completo.

Muitas delas, embora já tenham concretizado seu pedido de filiação e sido incorporadas à Comunidade maior, ainda estão iniciando sua aprendizagem no sentido de serem verdadeiras comunidades de discernimento apostólico. Sua pertença à CVX já é clara, porém sua formação ainda se encontra em estágio por assim dizer inicial no que tange à vivência do discernimento e à busca constante do maior serviço e da maior glória de Deus que deve caracterizar a missão assumida no estilo inaciano. Em geral, nestas comunidades já filiadas pode haver maior ou menor heterogeneidade entre os membros quanto ao estágio de formação em que se encontram. Apesar disso, alguns ou mesmo vários membros dessas comunidades já poderão ter feito seu compromisso temporário com a CVX (cf. NNGG 2 e 3).

Outras já apresentam características mais maduras quanto à experiência que os membros têm dos Exercícios Espirituais, no sentido de que o discernimento pessoal, comunitário e apostólico, bem como tudo que pedem os PPGG, nelas se tornam uma realidade freqüente, ou pelos menos apresentam condições concretas de tornar-se tais. O compromisso com a CVX possivelmente pode chegar a ser feito de forma permanente, pelo menos por parte de alguns membros, de acordo com as NNGG 3.

 

1.  Quanto à Formação nos Exercícios Espirituais

 

Trata-se de uma comunidade já filiada e que, portanto, supõe-se já estar vivendo, pelo menos em algum nível de profundidade, a experiência dos Exercícios e do discernimento. Como meios para isso propõe-se:

·      fazer uma experiência mais profunda dos Exercícios Espirituais, seja de 8 (oito) dias (se é que ainda não o fez), seja na vida diária;

·      ser fiel à direção espiritual, a fim de crescer no discernimento das moções do Espírito em sua vida, já tendo como horizonte a missão e o serviço apostólico;

·      fazer algumas leituras apropriadas que ajudem para isso: algumas cartas de Santo Inácio sobre o discernimento (a Soror Teresa Rajadell, a São Francisco Borja, por exemplo), algumas vidas de santos, etc., individualmente ou em grupo;

·      crescer na partilha comunitária das moções experimentadas no tempo entre as reuniões;

·      manter fidelidade crescente ao exame de consciência diário, descobrindo nele cada vez mais um modo de orar privilegiado para buscar e encontrar a vontade de Deus;

·      estudar individualmente, ou em grupo, mas sempre com acompanhamento especializado, as Regras para o Discernimento dos Espíritos, próprias para a Segunda Semana (EEEE. 328-336), a fim de ser capaz de fazer uma eleição ou reforma de vida e identificar as tentações mais sutis que se atravessam no caminho de quem cresce e progride na vida espiritual;

·      renovar anualmente a sua experiência dos EEEE, num retiro, preferencialmente de oito dias, mas ao menos de três ou quatro dias;

·      crescer na intensidade e freqüência de sua vida sacramental, purificando-se pelo sacramento da Penitência recebido com regularidade e participando freqüentemente da Eucaristia (cf. PPGG 10).

 

À medida que a caminhada dos membros de uma comunidade vai avançando, embora de maneira diferenciada e heterogênea, supõe-se que pelos menos alguns membros já tenham realizado uma experiência razoavelmente profunda dos Exercícios Espirituais. Isso não impede que devam crescer sempre e aprofundar sempre mais essa experiência. O fim a ser buscado é a união sempre maior com Jesus Cristo e a participação no seu Mistério Pascal. Para isso, os seguintes meios deveriam ser postos à disposição dos grupos e membros que sentem e expressam o desejo de um maior aprofundamento em seu processo de formação:

·      crescer em disponibilidade e abertura para todo e qualquer desejo de Deus que se manifeste em sua vida, como apelo à missão, sendo constantemente ajudado no discernimento que isto requer por sua comunidade e por seu diretor espiritual;

·      buscar efetiva e ardentemente a santidade de vida em todos os seus aspectos, como desenvolvimento pleno da graça recebida no Batismo e na Confirmação, dentro do estado de vida laical e no estilo inaciano. Buscar, portanto, uma identificação cada vez maior com Jesus Cristo, pela oração de contemplação, que cristifica progressivamente o corpo e o espirito e leva a uma identificação sempre maior com Jesus pobre e humilde, no seu seguimento segundo o espirito da Meditação do Reino (EEEE 91-98), das Duas Bandeiras (EEEE 136-147) e dos Três Graus de Humildade (EEEE 165-168) como disposições necessárias para buscar e encontrar a vontade de Deus;

·      seguir cursos (oferecidos pela Companhia de Jesus, CVX e outras instituições) sobre alguns aspectos da espiritualidade inaciana que o ajudem a aprofundar-se mais na vivência dos Exercícios Espirituais;

·      estudar, ler, rezar e assimilar as outras Regras presentes nos Exercícios Espirituais: as Regras Para Distribuir Esmolas (EEEE 337-344), as Regras para Sentir e Entender os Escrúpulos (EEEE 345-351) e as Regras Para Sentir Com a Igreja (EEEE 352-370), a fim de preparar-se mais intensamente para a missão.

 

2.  Quanto à Doutrina da Igreja

 

Em se tratando de uma comunidade filiada, o conhecimento doutrinário deve crescer em proporção à sua caminhada espiritual e apostólica. Não deveria mais haver, portanto, numa CVX desta etapa, dúvidas básicas sobre conteúdos doutrinários fundamentais, embora se tenha consciência de que, tal como outras características, a caminhada e o processo de cada membro individualmente difere muito. Aprofundar o já aprendido, ou procurar aprender por outra via o que já foi proposto como objeto de aprendizagem, requer, então, alguns meios:

·      começar a estudar e refletir sobre os grandes temas da Sagrada Escritura e da Tradição da Igreja em conexão com a experiência dos Exercícios Espirituais. Ver como os Exercícios, na verdade, nada mais são do que o itinerário mesmo da História da Salvação, e procurar detectar como isso está ocorrendo na sua vida e na do seu grupo;

·      estar a par, cada vez mais, do que acontece em termos de desenvolvimento teológico na vida da Igreja hoje: o pluralismo de correntes, os pronunciamentos do Magistério, mesmo os conflitos existentes, aprendendo a distinguir entre o que é dogma e doutrina da Igreja e o que é opinião e fruto de reflexão de teólogos ou de correntes teológicas;

·      ter um conhecimento básico dos documentos mais recentes da Igreja, que mais influenciaram a nossa geração e a de nossos filhos, concretamente o Concilio Vaticano II e, aqui na América Latina, Medellin, Puebla e Santo Domingo;

·      conhecer as posições da Igreja sobre os temas da atualidade: a engenharia genética, a justiça social, a sexualidade, a ecologia, etc.;

·      procurar perceber e desentranhar a teologia contida nos Exercícios Espirituais.

 

À medida que os membros vão avançando no seu processo, e numa comunidade onde muitos já possuem uma base mais profunda em questões doutrinárias, seria importante, também, crescer em conhecimento teológico e bíblico, no sentido de qualificar cada vez mais seu testemunho e preparar-se cada vez melhor para a missão que Deus lhe indicar, seja ela qual for. Para isso os seguintes meios deveriam ser propostos:

·      procurar cursos especializados (dentro dos horários e modalidades de acordo com as suas possibilidades) oferecidos pela própria CVX, por Faculdades ou Institutos de Teologia e Centros Inacianos, de sua cidade ou diocese;

·      organizar grupos de estudo sobre temas teológicos de seu interesse (a proposta poderia vir pela Equipe de Formação da CVX, ou poderia ser iniciativa dos próprios membros e/ou da comunidade de pertença);

·      trazer pessoas entendidas em teologia para as reuniões das comunidades ou do regional para falar sobre algum tema do interesse de todos, referente à atualidade;

·      fazer um programa de leituras teológicas ou bíblicas que permita uma atualização constante nas principais áreas da teologia, da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja, procurando para isso a ajuda de pessoa especializada ou do assessor da comunidade;

·      assinar algum jornal, periódico ou revista teológica de boa qualidade a fim de poder ir acompanhando a discussão sobre os temas da teologia hoje.

 

3.  Quanto ao Sentir com a Igreja

 

Para uma Comunidade filiada, cresce em importância este “sentido de Igreja”. A união com a Igreja deve ser buscada na mesma proporção em que é buscada a união com Cristo (PPGG 6.). E a participação em todos os aspectos da vida da Igreja (liturgia, conhecimento e oração com a Bíblia, propagação da doutrina cristã, trabalho pastoral) deve ser prenhe de um sempre mais profundo espírito de serviço e colaboração na missão comum de evangelizar e construir o Reino de Deus na terra. Para isso os seguintes meios poderiam ser propostos:

·      crescer na consciência dos desafios mais urgentes de sua Igreja particular (paróquia, diocese, país). O serviço que as CVX são chamadas a prestar não pode dar-se sem estreita consciência e referência ao contexto em que esse serviço deve realizar-se. E esta referência, por sua vez, não pode dar-se sem um conhecimento dessa realidade contextual;

·      procurar participar de reuniões de sua Igreja local em conjunto com outros lideres eclesiais, de outros movimentos e pastorais, cultivando assim a abertura eclesial;

·      procurar conhecer seus pastores locais, seja convidando-os para eventos na CVX, onde seriam convidados a fazer pronunciamentos e exortações aos participantes, seja dispondo-se a estar presente nas iniciativas da diocese;

·      procurar participar de alguma maneira nos organismos da Igreja em nível regional e nacional que dizem respeito à vocação CVX (exemplos: Conselho de Leigos, Pastoral da Juventude, Pastoral da Família, etc.);

·      conhecer sempre mais profundamente os últimos documentos e pronunciamentos da Igreja, para poder falar com conhecimento de causa quando necessário, e dar testemunho;

·      incrementar a vida sacramental como crescimento de participação na vida da Igreja.

 

O sentido de Igreja deve crescer proporcionalmente à caminhada da comunidade. Para tanto, os seguintes meios são propostos:

·      crescer no sentido eclesial, na consciência de que na Igreja, Cristo continua aqui e agora sua missão salvadora, e que, portanto, a nossa missão enquanto membros CVX deve ser vivida e exercida dentro da Igreja. Esta é sua única possibilidade de existir e critério iniludível do discernimento (cf. EEEE 170.2);

·      crescer no amor pela Igreja, num sentido sempre mais despojado e realista, assumindo erros e pecados desta Igreja como seus, dispondo-se a reconhecer a voz de Deus nas diretrizes dos Pastores, por mais que pareçam ir contra o próprio parecer, crendo que, se é o mesmo Espirito que sopra no interior dos corações e na Igreja, a verdade um dia se manifestará e o consenso terá por força que acontecer (cf. EEEE 365 ss.). Assim, os membros das comunidades devem animar-se e corrigir-se fraternalmente uns aos outros neste sentido;

·      crescer na consciência de não poder inventar e improvisar a própria missão, mas ser enviado pela Igreja ali onde há necessidades relativas ao Reino de Deus. Por isso, neste estágio de caminhada CVX, é importante crescer no sentir eclesial, no sentido, mesmo ousado, de adquirir uma disponibilidade a ser enviado em missão ali onde as necessidades da Igreja o pedem. Isso pode conseguir-se através da oração, do discernimento pessoal e comunitário e da crença na própria vocação missionária, vivida dentro de um Corpo Eclesial com necessidades e urgências que devem ser atendidas e serviços que demandam serem executados;

·      rezar, ler, estudar e assimilar existencialmente o espirito das Regras para sentir com a Igreja, de Santo Inácio de Loyola (EEEE 352-370), a fim de aprender a amar a Igreja como Mãe e como Esposa de Cristo.

 

4.  Quanto à Análise da Realidade Social

 

Numa comunidade já filiada, este costume de fazer análise da realidade a fim de poder atuar sobre ela com uma ação transformadora deveria ser parte integrante da vida da comunidade. Para tanto, alguns meios podem ser propostos como ajuda:

·      um maior compromisso, ajudado pelo diretor, pelo assessor do grupo e pela comunidade mesma, no sentido de caminhar em direção a algum nível de vivência da opção pelos pobres. Isto em dois níveis: na simplificação do estilo de vida e no serviço concreto aos mais pobres, em alguma medida e segundo as possibilidades de cada um (cf. os Três Níveis de Opção pelos Pobres: conversão de interesses, alternância e encarnação);

·      ler textos da Igreja local, das Ciências Sociais e da própria CVX, que façam a ligação da análise da realidade com a vivência cristã. Alguns suplementos da Progressio podem ajudar nesse sentido, bem como inúmeros da Igreja nacional (CNBB) e universal;

·      crescer no conhecimento da estratégia de Jesus oposta à estratégia do mundo, relacionando-a com a vivência do exercício das Duas Bandeiras (EEEE 137-147);

·      desenvolver o sentido de urgência de trabalhar pela Justiça no mundo de hoje, por meio das partilhas e revisões de vida comunitárias, feitas com crescente seriedade e profundidade.

 

À medida que a comunidade vai caminhando mais na espiritualidade e na vida comunitária, supõe-se que os seus membros (pelo menos a grande maioria) vão fazendo uma opção e um compromisso mais decidido pelo seguimento de Jesus Cristo pobre e humilde e, por isso, vão adquirindo já o crescente costume de fazer análise da realidade social onde estão inseridos, a fim de partir logo para uma ação capaz de transformá-la. Para isso, alguns meios podem ser propostos:

·      assumir a responsabilidade, em algum nível, de uma comunidade carente, em seu lugar de moradia, seja em termos de contribuição material, seja me termos de presença para promoção humana, serviço evangelizador, etc. Mas sempre partilhando e refletindo essa responsabilidade em comunidade, ajudados pelo assessor;

·      participar de cursos de análise social e de conjuntura, a fim de manter-se sempre atualizado sobre as últimas tendências e componentes da realidade social do seu local de moradia e trabalho, com vistas a uma ação transformadora mais adequada e eficaz;

·      trazer constantemente os acontecimentos e situações da realidade social ao exame de consciência diário, ao discernimento espiritual pessoal e comunitário e às revisões de vida da comunidade, a fim de avaliar a qualidade da própria resposta e aprofundar o próprio compromisso;

·      unir esforços com outras instâncias da Igreja e com outras organizações, mesmo não eclesiais, no sentido de aprender a analisar a globalidade da realidade com maior lucidez e abrangência (exemplos de outras instâncias: CNL, IBRADES, IBASE, CEDI, CRL, etc.);

·      aprofundar-se em textos teológicos que tenham conexão com a realidade social, a fim de, sempre mais, dar um cunho cristão à sua ação social;

·      aprofundar-se cada vez mais no conhecimento da realidade, desde  a perspectiva dos mais fracos e dos vencidos, a fim de estar prontos a dar testemunho em qualquer ocasião, estando dispostos mesmo a sofrer perseguições e tribulações por causa de seu testemunho. Neste sentido é muito importante a participação e a ajuda da comunidade e do diretor espiritual;

·      aprender cada vez mais a ler a realidade com os olhos da Igreja, estudando sempre mais os documentos sociais do Magistério. Trabalhar alguns desses documentos na reunião da comunidade pode ajudar;

·      procurar unir experiências de inserção na realidade mais pobre com a prática do retiro anual, a fim de “abrir janelas” antes do momento mais intenso de encontro como Senhor, para poder ser mais facilmente interpelado por Ele.

 

5.  Quanto à Realidade e Estilo de Vida CVX

 

As comunidades já filiadas devem ser formadas no sentido de um conhecimento e vivência mais profundos da realidade e estilo da CVX. Para isso alguns meios são propostos neste documento:

·      estudar a história da CVX, desde os seus primórdios até hoje; (1)

·      aprofundar os Princípios Gerais, não só pelo estudo, mas também pela oração, partilha, vida e discernimento;

·      avaliar, por meio de Revisões de Vida cada vez mais aprofundadas, sua fidelidade em cumprir e viver os PPGG e as diretrizes das últimas Assembléias Mundiais;

·      estar constantemente informado da vida da comunidade local, nacional e mundial, pela leitura de seus boletins e publicações;

·      iniciar um processo de discernimento em relação a assumir publicamente um compromisso com a CVX, segundo NNGG 2.

 

À medida que a comunidade vai avançando em sua caminhada, os traços de estilo de vida CVX, anteriormente estudados com vistas ao discernimento de uma filiação, apenas se aprofundam. Propõe-se para este fim:

·      crescer no conhecimento dos PPGG. e das orientações da Comunidade Nacional e Mundial;

·      viver cada vez mais profundamente sua entrega pessoal a Jesus Cristo, expressa no compromisso efetivo com o estilo de vida CVX, em termos de vida, hábitos, opções profissionais, uso dos bens, etc.;

·      assumir publicamente o compromisso permanente com a CVX como seu estilo de vida segundo as NNGG 3;

·      crescer na disponibilidade para prestar qualquer tipo de serviço local, nacional ou mundial, quando a isto for chamado.

 

 

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